Archive for the ‘crônicas’ Category

O eu verdadeiro

12mar15

Em algum ponto do caminho da vida, você se perde. Mas você se perde de si mesmo. A partir dali – e só alguns anos depois você vai perceber que houve este ponto –, o seu “eu” torna-se um “outro eu”, desconhecido mas enganosamente familiar. Tão enganosamente que você acha que é o “eu”, mas […]


Por mais que o escuro faça você querer que tudo seja para sempre, nada o é. Não, nem as pessoas – essas, menos ainda. Não se pode desejar tais coisas, por mais humano que seja agir assim. É por demais perigoso, deveras cruel e, acima de tudo, uma ilusão letal. Aos poucos isso consome qualquer […]


Eu poderia querer te conhecer, e pensar em viver algo como… comum. Com um toque delicado de dedos que costumam estragar as coisas, dedos meus. Quem sabe desta vez, mas bom que só desta vez – porque teria que ser a última, a melhor – eles não destruíssem, e sim construíssem. Eu e você poderíamos […]


Inseguro

05out11

Usa a sua arrogância pra diminuir a impotência diante da agonia de um mundo diverso que não se encaixa em seu quarto e suja sua mansão; dos que lhe parecem inferiores por não terem seu estranho sucesso, seu dinheiro, sua bagagem e sua viagem; do mundo que lhe tirou um pedaço, frustração interna que não […]


Sopro

26set11

Um dia você nasce. E cresce, cresce, passa por muitas coisas. Aí passa por coisas que podem deixá-lo abalado. Tudo bem, acontece. Tudo bem nada, porque nem tudo ficou bem. É ser humano, isso. Ser, sentir e viver humano. Até que chega outro dia, o dia em que você desata aquele nó que prendia os […]


Quando a janela sorriu pra mim e se abriu, eu subi no parapeito e pulei – caí. Era verde, tudo tão verde, a grama em puro perfume. O lugar todo: muito estranho. Tão bonito e tão diferente de tudo que eu só consegui sorrir, mas sorrir mesmo com força, uma gargalhada em êxtase. A música […]


Um mentiroso

02jun11

Um mentiroso. O que é um mentiroso? Amar sem se importar com quem vai-lhe desprezar… Mas mentir não é o grande feito, o ato heróico, o presente sem valor ou o puro amor. Mentir é agir sem medir, ouvir e não sorrir, dormir pra fugir e não cair, e se iludir ao vir a abrir […]


Desordeno-me

28dez10

  Há coisas e coisas, estranhas por sobre si, e fétidas. O que, me pergunto, posso fazer para deixar tal abismo?  Ó, Sísifo, daqui te vejo, tu a rolar esta pedra que torna a cair. Estúpido! Talvez minha estupidez seja assim como a tua. Por mil diabos e deuses cornudos, por que ainda estou aqui? […]