Carta a Pierre Prybke Primmus

28abr14

Zênite, Montanha Celeste – Reino do Norte. Ano 1700 dCC.

 

Ao Senhor Pierre Prybke Primmus

(também conhecido como: Pierre Dohms-Primmus, Guerreiro dos Deuses, Guerreiro Bruxo, Lorde Pierre Primmus)

 

Devo dizer que me sinto honrado em poder me comunicar com o senhor, afinal não conheço tantos que possuem tão sincero e forte coração. É uma honra e é, sem dúvidas, um prazer imensurável.

Eis que venho trazer-lhe, meu bom, notícias sobre meu sofrimento interior. Não sabe o quanto tem sido difícil desde a última vez que nos vimos, no conturbado jantar ao Castelo Real de Gauron, quando Wivy levou Ériol. Sim, quando parei de escrever – peço-lhe minhas sinceras e humildes desculpas.

Ocorreu-me, Pierre, o pensamento seguinte: como pode você aturar as infantilidades e a arrogância de Sua Graça, o Príncipe Leon V. A. C. C. C. R. Dohms? Sei bem o quanto o ama, apesar de não querer admitir isto a si mesmo. Sabe que estou certo, e eu já consigo imaginá-lo sacudir a cabeça ao ler esta parte. Mas, verdade pura: vocês se amam, de forma ligeiramente diferente, mas de igual intensidade. É puro tal sentimento que nutrem, cada um à sua maneira, mas não estou dizendo que seus atos envolvendo esse amor sejam admiráveis. O sentimento, sim. A forma como demonstram me traz certa confusão à mente.

Sobre minha dor, é a que constringe o coração e o aperta, dilacerando suas paredes pouco a pouco. É talvez das mais antigas aflições do ser humano. Sim, o amor. Não pigarreie ao ler isto, pois também sofre por amor. Nega-o, mas sente o amor no peito.

O que se há de fazer, meu caro, quando o outro lado tem dúvidas se também deseja se permitir? Diante de tanto achar, de um não saber, de tantas vezes ler “talvez”, eu mesmo começo a duvidar que quero o que desejo agora. É a dúvida que bate de quando em quando: isso é o que eu quero para agora ou o que quero para a vida inteira? Pois se quer saber minha resposta, devo proferir mais um “não sei” – e agora sou eu quem não sabe. O sofrimento de estar com o coração nas mãos de outro é desgastante como o é bater a testa todo dia na ponta da mesma pedra. Uma hora tem fim, é o que dizem. Mas este fim para mim vem com uma demora de planos divinos: exaustivamente longa.

E se acha que estou me divertindo desde que os deixei após o jantar no castelo, é tão enganado quanto eu. Saí de Órion e amei alguém, sim, de verdade amei. E ainda sinto vestígios de tal amor. Mas, como a muda que lentamente morre se não for regada, meu resto de amor está se esvaindo também.

Falar nisso me fez pensar: tudo meu lentamente vem se dissolvendo. Tudo de bom. A couraça vai se dissipando ao vento e as entranhas expelem os sentimentos e as sensações ruins que infectam todo o corpo restante.

Pode parecer que estou reclamando da minha pouca sorte, sorte esta que costuma falhar, mas que recentemente salvou minha vida em um acidente. Posso até estar errado e talvez esteja chamando de sorte a divindade, mas isso nunca saberei.

Sei que preciso de você. De vocês dois. Aliás, de todos vocês. Não sei o que fazer, nem quando (ou se) isso vai, de fato, terminar. Mas vou (sobre)vivendo enquanto aguardo, e por ser eu difícil de me permitir às lágrimas, a espera pouco a pouco me destrói.

 

Força e paz, meu bom.

 

Ass. Thiago D.

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