Um cigarro

27abr13

Aquela ansiedade de matar, o suco gástrico pedindo por uma mordida, mas ele olhou e viu que era um cigarro, um cigarro meio fumado (ou um terço fumado, na verdade), e colorido em várias partes, mas sentia vontade, queria, quis colocá-lo na boca e então o fez, e o mordeu, e o gosto era nojento e estranhamente necessário, mastigou-o arrancando pedaços como a um pedaço de carne, um horrível pedaço de carne com cinzas e mil coisas que deixavam o pulmão preto como um cadáver, pior que um cadáver, morto e fedendo, mas necessário, interessante e tranquilizante para sua ansiedade com tons de loucura, com cheiro de um doce estranho, com gosto de cigarro mastigado, e, mastigando-o, engoliu tudo, o estômago doeu, mas tudo fazia parte de algo importante naquele momento, tudo era real, até ele acordar e passar o dia com a sensação horrível de ter comido um cigarro enquanto dormia.

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