Falo

14maio11

Sei que falo, falo, por muitas horas falo, mas porque tu não falas. Falas, como eu, como falo. Como falo… Quero desatar estes nós, teus nós profundos que não são tão breves mas enchem-me os olhos, quero abri-los, abrir e entrar. E como falo! Ainda estou aqui, vivo, velas veem-me vago, vazando e vertendo vingança viva, veias vadias valseando o sangue quente, fervendo, fervor de desejo, olhos nos teus, os teus nos meus, a cor que vejo vai-se e volta. Mas, sem vontade nem amor nem desejo nem paixão, não me quer, não me vê. Pisa e chuta, e cospe e pisa, e vai-se. O coração, partido, meu coração está tão quebrado – ah, se fosse o seu. Doeria no meu, vingança doeria em nós, mais em mim, mas em você… É triste, não faz rir mas faz sangrar com os olhos, lágrimas não, sangue – sim! –, muito sangue a escorrer por marcas feias em mim, a fugir por mim e a sumir no vazio. De mim, o meu vazio. Falas, ou não? Comigo, por que não? Por que não entras? Pode vir! Dos convidados nobres, és quem traz o prazer, quem vem e fica, como fica, fica para ter o que ninguém mais deixaria existir em si, tão tortuoso e tão vil e cruel, mas belo de alguma forma, com coisas sombrias e bonitas. Sentimento, sentido mal feito, sentimentos sem nomes, todos de mim emanam em tuas sombras e no cheiro que ficou, que me deixou só, ébrio, ferido e furioso, mas não há coisas assim além daqui. Falas comigo – não, é impressão, delírio. Mas eu falo. Eu, sim, falo.

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